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ICOR utiliza dispositivo Impella pela primeira vez em Passo Fundo

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O Instituto do Coração de Passo Fundo realizou, no dia 22 de outubro, a utilização de um dispositivo inovador – o Impella – para assistência ventricular. O procedimento nunca havia sido realizado em Passo Fundo e significa um grande avanço na especialidade de cardiologia do município.

O PACIENTE

                O paciente E.D.A. chegou ao Hospital de Clínicas de Passo Fundo apresentando quadro de infarto agudo do miocárdio em parede inferior, e apresentava oclusão aguda, com muitos trombos dentro da artéria coronária direita. Foi prontamente tratado com angioplastia e implante de stents, obtendo bom resultado e interrompendo o infarto. No cateterismo cardíaco realizado no momento do infarto, foi possível perceber que, além da artéria culpada pelo infarto, haviam lesões em todas as outras principais coronárias. Uma das lesões era no tronco da artéria coronária esquerda, em ponto da artéria que é responsável pela irrigação de 70% do coração, e em uma posição envolvendo a bifurcação e a origem do dois maiores vasos que irrigam o músculo do coração.

                O plano era deixar o paciente internado por alguns dias para recuperação do infarto e, após, dar alta com programação de realizar uma ponte de safena para corrigir as alterações da coronária esquerda em uma segunda internação, que deveria ser pelo menos 6 meses após (pois neste período haveria a necessidade de uso de anticoagulantes para evitar a formação de coágulos sobre o metal dos stents, dentro da coronária). Porém, no segundo dia após o infarto, o paciente apresentou um quadro de arritmia grave, que o levou a uma parada cardíaca (foi prontamente atendido e não teve sequelas). Assim, o plano de aguardar para corrigir as lesões do sistema coronariano esquerdo não pôde ser posto em prática. Deveriam ser corrigidos ainda na internação. Foi solicitada, então, a avaliação de um cirurgião cardíaco para ver se poderia fazer a cirurgia de ponte de safena ainda na internação, resultando em uma conclusão de que haveria um risco muito elevado de se operar na fase aguda de um infarto, ainda mais sem poder suspender os anticoagulantes (aumentando muito o risco de sangramento durante a cirurgia). A única opção seria realizar um tratamento por cateter, com implante de stents em todas as lesões do sistema coronário esquerdo em um mesmo procedimento. Isso exigiria um procedimento complexo, demorado, com implante de técnicas especiais para posicionar os stents nos pontos de bifurcação dos vasos sem que nenhum dos ramos fechasse. Além disso, mesmo com um risco menor quando comparado a cirurgia cardíaca, a angioplastia do paciente também tinha risco elevado. Isso acontece porque uma grande parte do seu coração estava paralisada, devido ao infarto, e a coronária que se necessitava intervir irrigava toda a parte saudável do seu coração. Assim, durante a manipulação dos materiais dentro da coronária, durante a angioplastia, se houvesse redução do fluxo através dela, poderia causar uma diminuição da contração global do coração (podendo levar, inclusive, a óbito).

O PROCEDIMENTO

                O procedimento de angioplastia com implante de stents para correção das lesões da coronária esquerda do paciente foi realizado no dia 22/10 e necessitou implante de três stents para corrigir todos os estreitamentos dos principais ramos da artéria coronária esquerda.

Durante o procedimento, além dos aparelhos normalmente usados neste tipo de cirurgia, foi usado um minúsculo ultrassom – tão pequeno que é possível introduzir dentro da coronária -, que permite melhor medir o diâmetro dos vasos e verificar se os stents estão bem posicionados. Além disso, pela primeira vez na cidade, foi utilizado um dispositivo de assistência circulatória – isto é, um aparelho que colocado dentro do coração ajuda este a bombear o sangue, como se fosse um coração artificial, capaz de bombear até 4 litros de sangue por minuto -, o Impella.

É um procedimento complexo e demorado, que levou mais de 3 horas para ser completado. Sem o Impella, ele exigiria uma manipulação de vários materiais dentro da coronária, com a necessidade de insuflação de diversos balões e implante de mais de um stent dentro das coronárias, para obter a desobstrução completa das três coronárias que apresentavam problemas. Isso faria com que o fluxo na coronária seja interrompido por diversos momentos, impedindo a chegada de sangue ao músculo do coração (o que poderia leva-lo a um falecimento). Com a utilização do Impella, o procedimento ocorreu de forma absolutamente tranquila, sem intercorrências, com pressão estável e a perfeita manutenção da distribuição de sangue pelo corpo durante todo o tempo.

O APARELHO

                O Impella consiste de um cateter com diâmetro de em torno de 2 mm, que é conduzido a partir de uma artéria da perna (a artéria femoral) até o coração, sendo posicionado dentro do ventrículo esquerdo – que é a cavidade do coração responsável por bombear o sangue para todo o corpo. Ele capta o sangue desta cavidade e o bombeia na aorta, em fluxo contínuo, auxiliando na manutenção do débito cardíaco. Em uma pessoa de porte médio, o débito cardíaco gira em torno de 5 litros por minuto. Esse aparelho é capaz de gerar um fluxo de até 4 litros por minuto.

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